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sábado, 23 de janeiro de 2010

Cabelo: identidade e diversidade.

"É muito fácil encontrar quem não esteja satisfeito com seu cabelo. Assim como as roupas e o modo de ser, o cabelo também faz parte da identidade de cada um, refletindo a sua cultura, a sua história de vida.
Duro, bombril, ruim, pixaim. Esses são alguns dos adjetivos usados para se referir ao cabelo crespo dos negros na linguagem popular. Seja no caso de homens ou mulheres, negros ou brancos, o cabelo crespo é geralmente rejeitado.
Ao longo dos anos, a atitude de quem tem cabelos crespos foi a mudança para o cabelo alisado, um visual que se aproxima do padrão delimitado pela sociedade. Para muitos negros, porém, assumir seus cabelos ao natural, sem intervenção química, tornou-se uma forma de manifestar seu sentimento de identidade, o que se liga diretamente às suas raízes africanas.





Foi desse modo que na década de 1960 o visual black power influenciou os jovens a não cortar os cabelos, aceitando, assim, suas características de origem. Com a explosão das músicas de Bob Marley na década de 1970, cabelos rastafáris também passaram a fazer parte da cultura negra que cantava a liberdade e valorizava a cultura afro.
Muitos estilos foram criados a partir de penteados que marcam as características culturais de negritude: black power, dreadlocks, tranças, canecalons, etc.


Atualmente, jovens de todas as tribos, sejam negros ou não, têm assumido os mais diferentes visuais, abrindo caminho para a diversidade no meio em que vivem."

(texto extraído do livro A COR DO PRECONCEITO, de Carmen Lúcia Campos, Sueli Carneiro e Vera Vilhena, Editora Ática - fotos: divulgação/internet)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quem viu? Quem sabia?

LOUIS VITTON EXIBE PERUCAS BLACK POWER EM DESFILE EM PARIS!



Enormes perucas black power, exibidas pelas modelos, causaram grande impacto na platéia do desfile de Louis Vitton, em Paris, na última sexta-feira, 09. Clara (e bem-vinda!) alusão ao Movimento Black Power surgido nos EUA, no início dos anos 1970.
Falando nisso, você sabe como e por que se formaram os Movimentos Negros no Brasil? Não?
Bom, os movimentos negros brasileiros se formaram a partir das influências e reflexões internacionais, especialmente de movimentos intelectuais de negros nos Estados Unidos e movimentos de libertação nacional na África.
O conceito de "consciência negra" foi formado, a partir dos anos 60, do século XX, contra a opressão colonial na África e pelo Protesto Negro nos EUA. Surge daí a ênfase nas lutas anti-colonialistas de países africanos, rumo a uma África livre e descolonizada pelos europeus.

Estas lutas ecoaram nas organizações de vanguarda nos EUA, onde apareceram líderes como Malcolm X e o movimento dos Direitos Civis, liderada por Martin Luther King (foto ao lado). No início da década de 1970, surgiram ainda os Panteras Negras e o movimento Black Power que participaram de muitos conflitos étnico-raciais nos EUA e ajudaram na conquista de espaços.
Nessa época, vieram à tona os violentos conflitos raciais na África do Sul, com o regime de segregação racial, o Apartheid e nomes como de Nelson Mandela (foto abaixo), Stive Biko e outros passaram a ser símbolos mundiais contra o racismo.



No Brasil, as profundas reflexões trazidas por esses movimentos internacionais fizeram com que a consciência negra questionasse o condicionamento psicológico como grande entrave à organização política. Assim, os movimentos de Consciência Negra no Brasil (Frente Negra Brasileira-FNB, Instituto de Pesquisa e Cultura Negra-IPCN, Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial-MNU, entre outros) não se ocupam somente do racismo explícito, e sim do que ele é capaz de introjetar em certo conjunto de indivíduos.
Esses movimentos despertaram intelectuais negros, profissionais liberais, estudantes, funcionários públicos e negros pobres no Brasil inteiro, a partir do final da década de 1970, a se conscientizarem da necessidade de se auto-afirmarem como negros, ganhando força o slogan "Negro é lindo!".
Só a partir daí, na década de 90, os movimentos negros conseguem transformar o 13 de maio em Dia Nacional da Denúncia contra o Racismo, instituir a Semana Nacional de Consciência Negra, no dia 20 de novembro, quando se comemora a resistência e morte de Zumbi dos Palmares e, ainda, fazer surgir o termo afrodescendente que passou a abranger pretos e pardos, nas pesquisas do IBGE.